sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

GRANDES ILUSTRADORES DO FANTASMA - XII

Olá amigos do Blog Fantasma Brasil, hoje sexta-feira teremos uma postagem "muito Especial", onde iremos falar de um grande ilustrador que muito contribuiu para a divulgação do maior fenômeno dos quadrinhos mundiais: "O Fantasma" aqui no Brasil.
Queremos agradecer ao amigo "Ayres" do blog "Mundo Quadrinhos" que nos ajudou com material para este artigo.

WALMIR AMARAL

Não seria possível falar dos grandes ilustradores da obra de Lee Falk: “O Fantasma”, sem citar um grande ilustrador “brasileiro” que ilustrou muitas histórias do “Espírito que Anda”; e criou centenas de capas para as revistas do Fantasma da RGE “Rio Gráfica e Editorial” a atual editora Globo.
Walmir Amaral de Oliveira é carioca nascido no bairro do Méir exatamente no Lins no mês de dezembro de 1939. Walmir aprendeu a desenhar sozinho, desde criança fazia suas histórias na calçada de casa e quando as pessoas passavam contava as histórias, demonstrando talento desde muito cedo.
O gosto pelo desenho certamente veio dos quadrinhos naquela época era leitor de “O Gibi” e do “Globo Juvenil”, e ainda criança já se ligava aos detalhes dos desenhos como: revolver, pistóla, sela de cavalo, vestimenta dos cowboys...

“Gibi Mensal” e “O Globo Juvenil” que inspiraram Walmir Amaral a se tornar ilustrador

Foi nesse período da guerra (anos 40) que Walmir teve contato com o Fantasma que saia na revista “Globo Juvenil” começou a gostar de quadrinhos e começou a desenhar. Aos 17 anos Walmir foi fazer o serviço militar, e acabou conhecendo uma moça que era secretária de um funcionário importante da Editora Rio Gráfica e desta forma Walmir teve a oportunidade de passar do amadorismo para o profissionalismo através de um emprego que conseguiu na editora Rio Gráfica.
Walmir Amaral foi fazer um teste com o chefe do departamento de desenho da editora, um argentino chamado “Aires” e acabou sendo aprovado, sua primeira atividade foi trabalhar completando os desenhos, ou seja pegar os originais americanos tirar as legendas e montar nos gabaritos das revistas da Rio Gráfica. Depois que o texto em português era aplicado era necessário completar as parte do desenho que ficavam cortadas; Walmir ficou por três meses como ajudante realizando este trabalho.
Junto a Walmir trabalharam grandes nomes do quadrinho nacional como: Gutemberg Monteiro, Flávio Colin, Benício e Milton Sardella, que faziam as capas e desenhos. "Eu olhava para o trabalho deles e achava que também poderia desenhar. Não falei nada a ninguém e um dia desenhei uma história do personagem “Cavaleiro Negro” de dez páginas" (Walmir Amaral).

O Cavaleiro Negro no traço de Walmir Amaral

Naturalmente o inicio do trabalho de Walmir Amaral com o personagem “O Fantasma” foi produzindo as capas para a revista da Rio Gráfica, e foram centenas de capas. De todas as capas produzidas por Walmir duas foram as suas preferidas, uma delas de um antigo almanaque e a outra que ele criou para a edição de capa dura do “Casamento do Fantasma”.
Capa da edição especial do Fantasma um dos trabalhos preferidos por Walmir Amaral

Em meados dos anos 80 Walmir montou uma equipe para produzir histórias brasileiras do Fantasma e convidou para fazer parte da equipe: Wanderley (Mayhé), Adalto Silva e depois devido ao grande número de títulos vieram Julio Shimamoto e Antonio Nomobono.
Na década de 70 as revistas do Fantasma vendiam muito e por conta disso a editora Rio Gráfica Editorial aproveitou o momento e muito títulos surgiram: “Fantasma Quinzenal”, “Fantasma Mensal”, “Fantasma Extra”, Almanaques e etc, por mês chegou a ser lançado cinco ou seis títulos.
O material original vinha dos Estados Unidos na forma de tiras que eram publicadas nos jornais e depois eram montadas nos gabaritos da editora, só que não havia material para abastecer todos os títulos; por isso Walmir começou a escrever roteiros e desenhar e isso em 15 dias num ritmo alucinante que a situação exigia, Walmir era o único que escrevia as histórias que ele mesmo desenhava. Neste mesmo período Walmir Amaral começou a escrever e desenhar a revista do personagem “O Anjo” que Flávio Colin tinha deixado para trás, tendo que adaptar os roteiros enormes das histórias que vinham dos programas de rádio do qual o personagem tinha sido adaptado.

“Anjo” título escrito e desenhado por Walmir Amaral

As histórias do Fantasma produzidas por Walmir foram publicadas na Suécia havia um intercâmbio com as histórias que eles produziam, inicialmente eram poucas as histórias suecas, depois com a redução de pessoal da redação do Fantasma do norte da Europa outras histórias apareceram em nossas revistas vindas da Holanda, Bélgica e Dinamarca.

Edição suéca com capa produzida por Walmir Amaral

Na época em que ainda trabalhava na RGE, Walmir teve a oportunidade de conhecer Lee Falk que estava em São Paulo, nesta ocasião o roteirista José Menezes apresentou uma revista do Fantasma desenhada por Walmir Amaral, e Lee Falk elogiou dizendo que as ilustrações do Fantasma estavam muito bonitas.
Walmir sempre apreciou ilustrar as histórias do Fantasma, porque o personagem possibilitava um universo fantástico de ambientação, ora na selva outras na cidade, e os temas ligados a magia também eram muito bem aceitos. 

Foram inúmeras e belíssimas as capas produzidas por Walmir Amaral para o “Fantasma”

Alem de trabalhar para a revista do Fantasma Walmir Amaral produziu belas capas para outras publicações da Editora: foram revistas de Cowboy, Kripta, Mandrake.

Atualmente Walmir Amaral trabalha ilustrando livros didáticos para a rede de escolas CCAA, Walmir se sente frustrado por não poder desenhar quadrinhos, e como os livros ilustrados por ele são vendidos no exterior não pode nem usar seu próprio nome, nos EUA é conhecido por: Willian Armstrong Oliver e na Europa por: Waldez Amarillo.
Walmir se sente desiludido e não tem vontade de desenhar mais o Fantasma ou qualquer história em quadrinhos, pois essa atividade tomou muito tempo de sua vida, admite que ganhou dinheiro com essa atividade, mas hoje em dia a profissão é muito mal paga, e as revistas em quadrinhos hoje em dia não vendem.
Agora produzir álbuns de luxo como na Europa onde o artista pode criar um personagem, colorir sozinho, controlar todas as etapas de produção, isso sim gostaria de fazer.
No ano de 1997, Walmir Amaral foi premiado e teve reconhecido o seu trabalho quando recebeu o troféu “Angelo Agostini”, a premiação mais importante dos quadrinhos no Brasil; e pode sentir todo o carinho de seus admiradores, quando um número imenso de leitores mais velhos lhe pediam para autografar revistas do Fantasma e do Cavaleiro Negro que foram desenhadas por ele ; essa situação foi motivo de grande alegria para Walmir.
Com respeito aos quadrinhos atuais Walmir não aprecia o estilo de hoje com um quadrinho sobre o outro e os fundos muito cheios de detalhes causando uma poluição visual muito grande que ele não aprecia.
O Blog Fantasma Brasil quer render sua homenagem a este grande artista que com sua arte acabou enriquecendo muito a obra de Lee Falk aqui no Brasil. Sua arte jamais será esquecida e através dos recursos midiáticos hoje disponíveis será preservada e por muito tempo apreciada na grande rede mundial dos computadores.

Pinturas de Walmir Amaral que foram utilizadas como capas de edições especiais do “Fantasma”

6 comentários:

  1. Sempre adorei as capas dele e sempre quis conhecer mais sobre este grande desenhista. Parabéns pela excelente matéria!

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  2. Olá amigo Justin,
    Que bom a sua passagem pelo Fantasma Brasil, eu também sou um grande fã do Walmir Amaral, ele fez muita coisa boa na Editora RGE, e acredito que ele mereça essa justa homenagem e reconhecimento pelo seu trabaçho.
    Grato pelo seu comentário e aproveito para agradecer pela força que você dá para o nosso Blog.
    Grande Abraço
    Sabino

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  3. Olá, Sabino!

    Walmir Amaral sempre foi um de meus desenhistas favoritos e um grande capista, não importando o gênero da revista.

    Porém agora eu fiquei com a pulga atrás da orelha, pois aquela arte em que ele aparece em pá com os braços cruzados tem todas as características dos desenhos do Juarez Odilon, que nessa época também desenhou inúmeras capas e aventuras do cowboy mascarado. E essa arte foi publicada em propaganda da revista em outras edições da RGE.
    E me parece que esta arte foi a mesma que utilizaram nessa capa do Cavaleiro negro de fundo branco que aparece na matéria. Só acrescentaram duas mulheres. Mas se não me engano nesta capa tem uma assinatura que me parece ser a do Juarez Odilon, mas não deu para ter certeza em virtude dela ser muito miúda e ao ser aumentada fica desfocada.

    Se você tiver o original desta capa branca, pode fazer esta confirmação? É que em alguns momentos muitas particularidades dos desenhos de Waldir e Juarez se pareciam, como por exemplo a maneira de desenharem as dobras das roupas.
    Um grande abraço.

    Alvarez

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  4. Grande tio Walmir!! Sua obra será eterna!! Um lindo trabalho!! Homenagem merecida!!

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  5. Grande tio Walmir!! Homenagem merecida!! Sempre admirei seu trabalho!!

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  6. Olá amiga Denise,
    Realmente seu tio foi um grande artista, que eu também admiro muito, uma pena que os quadrinhos sempre foram marginalizados e por isso fica difícil se ver o verdadeiro reconhecimento.
    Mas a verdade é que o seu nome ficou imortalizado entre os grandes mestres dos quadrinhos brasileiros.
    Grande Abraço
    Sabino

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